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Igreja que ama não disciplina?

Há muito a igreja sucumbiu à filosofia mundana do que é o amor. Ele foi colocado sobre um pedestal e adorado por muitos. Ele se tornou a medida de todas as coisas. Ele é que define o que está certo ou errado, mas não se submete a nenhuma regra.

A igreja tem visto o amor como o maior de todos os atributos divinos, até o confundindo com o próprio Deus. Alguns, nessa ânsia por elevar o amor ao mais alto pedestal de adoração, passam a achar que o mesmo é inimigo da disciplina. Veem disciplina e amor de forma irreconciliáveis entre si.

Entretanto, o contrário disso é verdadeiro: “porque o Senhor corrige a quem ama” Hebreus 12.6. “Porque o Senhor repreende a quem ama” Provérbios 3.12. “Repreendo e disciplino a quantos amo” Apocalipse 3:19.

O Senhor ama sua igreja. E a disciplina corretiva é um claro indício desse amor paternal de Deus pelo seu povo. A igreja deixada por si mesma envergonha seu Senhor. A saúde espiritual de uma comunidade de crente passa pela disciplina de todos os seus membros, indistintamente.

Sendo assim, percebe-se que a disciplina, como correção, não é uma contradição do amor de Deus, mas, pelo contrário, deve ser entendida à luz deste amor. Por isso, o texto todo de Hebreus 12, explicita a disciplina com propósitos e benefícios bem definidos: “o Senhor corrige a quem ama” (v.6); “Deus vos trata como filhos” (v.7); “nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade” (v.10);        “ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que tem sido por ela exercitados, fruto de justiça” (v.11); “antes seja curado” (v.13).

Portanto, a disciplina é um exercício de instrução visando aproveitamento, aperfeiçoamento e conhecimento no Senhor Jesus. É importante comparar esta definição com a do Código de Disciplina da Igreja Presbiteriana do Brasil, que diz que disciplina eclesiástica é o exercício da jurisdição espiritual da Igreja sobre seus membros, aplicada de acordo com a Palavra de Deus… visa corrigir escândalos, erros ou faltas, promover a honra de Deus, a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e o próprio bem dos culpados (p.67).

Assim, a disciplina amorosa e bíblica é a ferramenta correta para confrontar o culpado com seu erro, corrigindo-o; edificar a igreja, levando-a a um crescimento saudável e bíblico; e honrar a Cristo.

Rev. Baltazar Lopes Fernandes | Publicado no boletim 1062–28 de Janeiro de 2018.

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