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Dia da escola dominical

No terceiro domingo de setembro, celebra-se o Dia da Escola Dominical na IPB.

A escola dominical, em suas feições modernas, nasceu em fins do século XVIII, na Inglaterra. Na época, a revolução industrial desarraigou centenas de milhares de famílias do campo. Expulsos do campo por poderosos proprietários rurais, centenas de milhares de camponeses que, até então, viviam de sua própria produção artesanal, migraram para a cidade onde as primeiras indústrias os contrataram sem qualquer tipo de proteção trabalhista. A jornada de trabalho podia chegar a até 16 horas seguidas, em condições extremamente precárias que colocavam em risco a vida e a saúde dos trabalhadores – por um salário irrisório que não garantia sequer a sua sobrevivência.

Separadas dos homens, as mulheres e as crianças trabalhavam em condições ainda piores, em fábricas onde eram amontoadas sem qualquer segurança e sem higiene.

Nessas circunstâncias, o esfacelamento da família cristã tradicional levou ao aumento da pobreza, do alcoolismo, da violência física contra as mulheres e as crianças e à quase ausência de vida em comum, devido ao longo tempo passado em atividades laborais escravizadoras que separavam homens, mulheres e crianças do convívio familiar. Até 1844 na Inglaterra, havia uma carga de 12 horas diárias para o trabalho infantil – já então regulamentado!

Portanto, a nascente classe operária sofreu o afrouxamento dos laços familiares e, obviamente, o ensino da Bíblia, dos Catecismos e das Confissões que, até então, era realizado em casa ao redor do pai do família, deixou de ser praticado. Somente na parte da manhã de domingo as fábricas permitiam que os operários e suas famílias fossem ao culto ou à missa – para, logo depois, voltarem às atividades laborais. Assim sendo, a presença da imensa maioria da população às igrejas resumia-se, tão-somente, a um rápido comparecimento na parte da manhã do domingo. A situação não podia ser pior: por um lado, o desaparecimento gradual do ensino doméstico das Escrituras por causa do processo de industrialização que esfacelava as famílias e, por outro lado, a participação meramente simbólica e episódica da maioria da população nas atividades da igreja, no domingo pela manhã.

Felizmente, a Inglaterra ainda vivia um período de avivamento cristão em fins do século XVIII: líderes anglicanos e metodistas revitalizaram o ensino das Escrituras por meio de ações sociais ousadas voltadas para a numerosa população carcerária, os pobres, os órfãos, as crianças abandonadas, os operários e os dependentes do alcoolismo (uma praga que então assolava o Reino Unido). O líder anglicano Robert Raikes (tido como o criador da moderna escola dominical), também jornalista, iniciou em 1780 uma escola dominical destinada às crianças: crianças pobres de 6 a 14 anos aprenderam a ler e a escrever por meio da Bíblia. Em 1785, surgiu uma sociedade voltada para a criação de escolas dominicais e, um ano depois, cerca de 200.000 crianças já estavam sendo ensinadas em toda a Inglaterra – numa época em que a escola pública e gratuita ainda não existia na Europa.

Portanto, as crianças foram o alvo prioritário da nascente Escola Dominical, por tratar-se do segmento da população mais indefeso e mais exposto aos efeitos devastadores da primeira revolução industrial inglesa que dissolveu os laços e os valores tradicionais da família cristã. O trabalho com os adultos, naquela fase, era muito mais difícil, razão pela qual a educação e reeducação cristã das crianças tornou-se a prioridade número 1. Na escola dominical, as crianças inglesas recebiam catequese, aconselhamento pastoral, calor humano, aprendiam a ler e a escrever copiando trechos das Sagradas Escrituras, eram ensinadas a cantar hinos e a orar e também recebiam noções de higiene, de moral cristã e de civismo. O cristianismo devolveu-lhes dignidade e esperança. Posteriormente, muitas delas se tornaram professores da Escola Dominical. Não é exagero afirmar que, graças à escola dominical, toda a sociedade inglesa – e a própria civilização – foi salva do colapso moral e social. A criação das escolas dominicais, ao lado da criação das Sociedades Bíblicas e das Juntas de Missões, sinalizou um novo tempo de avivamento na Inglaterra e nos Estados Unidos.

A seguir, a escola dominical difundiu-se pelos Estados Unidos, onde ela foi adotada por todas as denominações evangélicas para reverter o processo de descristianização da população. Além disso, o currículo da primitiva escola dominical pavimentou o caminho para a criação das primeiras escolas públicas na Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, a escola dominical chegou ao Brasil com as primeiras missões protestantes e a primeira delas foi fundada pelo casal Robert e Sarah Kalley (congregacionais) em Petrópolis. A primeira escola dominical presbiteriana foi fundada em 1861 por Ashbel Green Simonton (o fundador do Presbiterianismo no Brasil), no Rio de Janeiro, embora tenha passado a funcionar de modo mais sistemático a partir de 1867. Desde o princípio, a educação cristã constituiu um eixo prioritário da estratégia presbiteriana de evangelização no Brasil e instituições como o Mackenzie, o Instituto Gammon e dezenas de escolas e colégios confessionais presbiterianos espalhados por toda a nossa nação derivam, na realidade, da ação pioneira das escolas dominicais. Símbolo de piedade e de excelência, a ação educacional presbiteriana está a serviço da evangelização do Brasil e forma cidadãos dos céus e da terra.

Hoje em dia no mundo inteiro, a escola dominical enfrenta o desafio de reinventar-se, ao mesmo tempo em que continua sendo a principal ferramenta de educação bíblica de um ser integral destinado a cumprir, na sociedade, os mandatos espiritual, social e cultural. Na IPCG, é dever de todos trabalharem na consolidação da Escola Bíblica Dominical e no constante aperfeiçoamento de seus currículos e métodos, como poderoso instrumento da Palavra de Deus na transformação dos indivíduos e da sociedade. Mãos à obra!

Rev. Alain Paul Laurent Rocchi. Publicado no Boletim 940 | 20 de setembro de 2015.

Comentários(2)

  1. Reply
    Ricardo Santana says

    Obrigado Reverendo. Deus o abençoe

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